Racionalismo

Trabalho apresentado no primeiro período de Direto/UFMA/2013. Disciplina: Filosofia Geral, pelos alunos: João Vitor Caldas Kagueyama, Deniz Sousa Costa, Rebeca Maria Lima, Natália Oliveira Amaral, Leydi Laura Vieira, Max Nunes Alencar.

O racionalismo é uma corrente que surgiu com René Descartes no século XVII, porém pode se dizer que o racionalismo surgiu junto com a filosofia, e é impossível desassociar um do outro, pois a filosofia na Grécia antiga consistia basicamente na utilização da reflexão para explicar a origem do mundo, ou seja, eles utilizavam da razão para alcançar o conhecimento.

Mas o que é a razão? Ao decorrer do trabalho nos tentaremos apresentar um breve explicação sobre essa pergunta, pode se dizer que a razão e a habilidade do homem de medir, comparar, juntar e calcular. Porém a razão e mais do que isso, a palavra razão pode ter outros significados, como o motivo de algo. Ao decorrer da nossa apresentação vamos explicar mais sobre esses e outros aspectos da razão.

A ATIVIDADE RACIONAL

A atividade racional e suas modalidades, a Filosofia distingue duas grandes modalidades da atividade racional, realizadas pela razão subjetiva ou pelo sujeito do conhecimento: a intuição (ou razão intuitiva) e o raciocínio (ou razão discursiva).

A atividade racional discursiva, como a própria palavra indica, discorre, percorre uma realidade ou um objeto para chegar a conhecê-lo, isto é, realiza vários atos de conhecimento até conseguir captá-lo. A razão discursiva ou o pensamento discursivo chega ao objeto passando por etapas sucessivas de conhecimento, realizando esforços sucessivos de aproximação para chegar ao conceito ou à definição do objeto.

A razão intuitiva ou intuição, ao contrário, consiste num único ato do espírito, que, de uma só vez, capta por inteiro e completamente o objeto. Em latim, intuitos significa: ver. A intuição é uma visão direta e imediata do objeto do conhecimento, um contato direto e imediato com ele, sem necessidade de provas ou demonstrações para saber o que conhece.

A razão intuitiva pode ser de dois tipos: intuição sensível ou empírica e intuição Intelectual

1. A intuição sensível ou empírica(do grego, empeiria: experiência sensorial) é o conhecimento que temos a todo o momento de nossa vida. Assim, com um só olhar ou num só ato de visão percebemos uma casa, um homem, uma mulher, uma flor, uma mesa. Num só ato, por exemplo, capto que isto é uma flor: vejo sua cor e suas pétalas, sinto a maciez de sua textura, aspiro seu perfume, tenho-a por inteiro e de uma só vez diante de mim.

A intuição empírica é o conhecimento direto e imediato das qualidades sensíveis do objeto externo: cores, sabores, odores, paladares, texturas, dimensões ,distâncias. É também o conhecimento direto e imediato de estados internos ou mentais: lembranças, desejos, sentimentos, imagens.
A intuição sensível ou empírica é psicológica, isto é, refere-se aos estados do sujeito do conhecimento enquanto um ser corporal e psíquico individual-sensações, lembranças, imagens, sentimentos, desejos e percepções são exclusivamente pessoais.

2. A intuição intelectual difere da sensível justamente por sua universalidade e necessidade. Quando penso: “Uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo”, sei, sem necessidade de provas ou demonstrações, que isto é verdade. Ou seja, tenho conhecimento intuitivo do princípio da contradição. Quando digo: “O amarelo é diferente do azul”, sei, sem necessidade de provas e demonstrações, que há diferenças. Vejo, na intuição sensível, a cor amarela e a cor azul, mas vejo, na intuição intelectual, a diferença entre cores. Quando afirmo: “O todo é maior do que as partes”, sei, sem necessidade de provas e demonstrações, que isto é verdade, porque intuo uma forma necessária de relação entre as coisas.

A intuição intelectual é o conhecimento direto e imediato dos princípios da razão(identidade, contradição, terceiro excluído, razão suficiente), das relações necessárias entre os seres ou entre as ideias, da verdade de uma ideia ou de um ser.
A razão discursiva: dedução, indução e abdução.

A intuição pode ser o ponto de chegada, a conclusão de um processo de conhecimento, e pode também ser o ponto de partida de um processo cognitivo. O processo de conhecimento, seja o que chega a uma intuição, seja o que parte dela, constitui a razão discursiva ou o raciocínio.

.Ao contrário da intuição, o raciocínio é o conhecimento que exige provas e demonstrações e se realiza igualmente por meio de provas e demonstrações das verdades que estão sendo conhecidas ou investigadas. Não é um ato intelectual, mas são vários atos intelectuais internamente ligados ou conectados, formando um processo de conhecimento.

A dedução

Dedução e indução são procedimentos racionais que nos levam do já conhecido ao ainda não conhecido, isto é, permitem que adquiramos conhecimentos novos graças a conhecimentos já adquiridos. Por isso, se costuma dizer que, no raciocínio, o intelecto opera seguindo cadeias de razões ou os nexos e conexões internos e necessários entre as ideias ou entre os fatos.
A dedução consiste em partir de uma verdade já conhecida (seja por intuição, seja por uma demonstração anterior) e que funciona como um princípio geral ao qual se subordinam todos os casos que serão demonstrados a partir dela. Em outras palavras, na dedução parte-se de uma verdade já conhecida para demonstrar que ela se aplica a todos os casos particulares iguais. Por isso também se diz que a dedução vai do geral ao particular ou do universal ao individual. O ponto de partida de uma dedução é ou uma ideia verdadeira ou uma teoria verdadeira

A indução

A indução realiza um caminho exatamente contrário ao da dedução. Com a indução, partimos de casos particulares iguais ou semelhantes e procuramos a lei geral, a definição geral ou a teoria geral que explica e subordina todos esses casos particulares. A definição ou a teoria são obtidas no ponto final do percurso.

E a razão também oferece um conjunto de regras precisas para guiara indução; se tais regras não forem respeitadas, a indução será considerada falsa. Por exemplo, colocamos água no fogo e observamos que ela ferve e se transforma em vapor; colocamos leite no fogo e vemos também que ele se transforma em vapor; colocamos vários tipos de líquidos no fogo e vemos sempre sua transformação em vapor. Induzimos desses casos particulares que o fogo possui uma propriedade que produz a evaporação dos líquidos. Essa propriedade é o calor.

A abdução

O filósofo inglês Peirce considera que, além da dedução e da indução, a razão discursiva ou raciocínio também se realiza numa terceira modalidade de inferência, embora esta não seja propriamente demonstrativa. Essa terceira modalidade é chamada por ele de abdução
A abdução é uma espécie de intuição, mas que não se dá de uma só vez, indo passo a passo para chegar a uma conclusão. A abdução é a busca de uma conclusão pela interpretação racional de sinais, de indícios, de signos. O exemplo mais simples oferecido por Peirce para explicar o que seja a abdução são os contos policiais, o modo como os detetives vão coletando indícios ou sinais e formando uma teoria para o caso que investigam.

Realismo e idealismo:

Vimos anteriormente que muitos filósofos distinguem razão objetiva e razão subjetiva, considerando a Filosofia o encontro e o acordo entre ambas Falar numa razão objetiva significa afirmar que a realidade externa ao nosso pensamento é racional em si e por si mesma e que podemos conhecê-la justamente por ser racional. Significa dizer, por exemplo, que o espaço e o tempo existem em si e por si mesmos, que as relações matemáticas e de causa-efeito existem nas próprias coisas, que o acaso existe na própria realidade, etc.
Chama-se realismo a posição filosófica que afirma a existência objetiva ou em si da realidade externa como uma realidade racional em si e por si mesma e, portanto, que afirma a existência da razão objetiva. Há filósofos, porém, que estabelecem uma diferença entre a realidade e o conhecimento racional que dela temos. Dizem eles que, embora a realidade externa exista em si e por si mesma, só podemos conhece -la tal como nossas idéias a formulam e a organizam e não tal como ela seria em si mesma. Não podemos saber nem dizer se a realidade exterior é racional em si, pois só podemos saber e dizer que ela é racional para nós, isto é, por meio de nossas ideias.

Essa posição filosófica é conhecida com o nome de idealismo e afirma apenas a existência da razão subjetiva. A razão subjetiva possui princípios e modalidades de conhecimento que são universais e necessários, isto é, válidos para todos os seres humanos em todos os tempos e lugares. O que chamamos realidade, portanto, é apenas o que podemos conhecer por meio das idéias de nossa razão.
A Razão: inata ou adquirida?

Durante séculos, as perguntas referentes à origem da capacidade de raciocínio e a origem dos princípios racionais foram temas da Filosofia, que ofereceu respostas a esses questionamentos por meio de duas correntes de pensamentos: o inatismo e o empirismo.
Inatismo:

O inatismo afirma que ao nascermos trazemos em nossa inteligência não só os princípios racionais mas também algumas ideias verdadeiras, as ideias inatas. Essa perspectiva sustenta que as pessoas naturalmente carregam certas aptidões, habilidades, conhecimentos, qualidades e que, toda atividade de conhecimento é exclusiva do sujeito, o meio não participa dela.
O inatismo platônico:

Platão acreditava que nascemos com a razão e as ideias verdadeiras, e a Filosofia nada mais faz do que relembrar essas ideias. Para ele, conhecer é recordar a verdade que já existe em nós, é despertar a razão para que ela se exerça por si mesma. A única maneira para se distinguir o verdadeiro do falso é por meio das ideias inatas.

Em A República, Platão desenvolve a Teoria da Reminiscência, no qual afirma a teoria das ideias inatas por meio da narração do Mito de Er.

A ideia apresentada nesse mito é de que após a morte, no Reino dos Mortos, as almas contemplam a verdade e possuem o conhecimento verdadeiro; antes de voltar à Terra, renascendo em outra vida em busca da purificação, as almas podem escolher a nova vida que terão. Platão afirmava que, no caminho de retorno à Terra, as almas atravessam uma grande planície por onde corre o “rio do esquecimento”, e bebem de suas águas. As que bebem muito esquecem toda a verdade que contemplaram, como o rei, os guerreiros e os comerciantes ricos; as que bebem pouco quase não se esquecem do que conheceram, como os sábios, que são capazes de lembras e ter sabedoria, usando a razão.

Inatismo Cartesiano:

A Teoria das Ideias Inatas é explorada nas obras O Discurso do Método e Meditações metafísicas, que Descartes mostra que nosso espírito possui três tipos de ideias que diferenciam segundo sua origem e qualidade.

Ideias adventícias (isto é, vindas de fora): são aquelas que se originam de nossas sensações, percepções, lembranças; são as ideias que nos vêm por termos tido a experiência sensorial ou sensível das coisas a que se referem. São geralmente enganosas ou falsas, isto é, são opiniões recebidas e que, em geral, não correspondem à realidade das próprias coisas.

Ideias fictícias: são aquelas que criamos em nossa fantasia e imaginação. São as fabulações das artes, da literatura, dos contos infantis, dos mitos, das superstições. Essas ideias nunca são verdadeiras, pois não correspondem a nada que exista realmente.
Ideias Inatas: são aquelas que não poderiam vir de experiências sensoriais, porque não há objetos sensoriais para elas, nem poderiam vir de nossa fantasia, pois não houve experiência sensorial para compô-las a partir de nossa memória.

As Ideias Inatas, diz Descartes, são “a assinatura do Criador” no espírito das criaturas racionais, e a razão é a luz natural inata que nos permite conhecer a verdade. Visto que as ideias inatas são colocadas em nós por Deus, serão sempre verdadeiras, isto é, sempre corresponderão integralmente às coisas a que se referem, e, graças a elas, podemos julgar quando uma ideia adventícia é verdadeira ou falsa e saber que as ideias fictícias são sempre falsas (não correspondem a nada fora de nós).
O Empirismo:

Contrário ao inatismo, os defensores do empirismo afirmam que a razão, a verdade e as ideias racionais são adquiridas por nós pela experiência. John Locke afirma que antes da experiência nossa mente é como uma “folha em branco”, onde nada foi escrito; uma tábula rasa onde nada foi gravado.

Nossos conhecimentos começam com a experiência dos sentidos, isto é, com as sensações. As sensações se reúnem e formam uma percepção; ou seja, percebemos uma única coisa ou um único objeto que nos chegou por meio de várias e diferentes sensações.
A causa da associação das percepções é a repetição. Ou seja, de tanto algumas sensações se repetirem por semelhança ou de tanto se repetirem no mesmo espaço ou próximas umas das outras, ou, enfim, de tanto se repetirem sucessivamente no tempo, criamos o hábito de associá-las. Essas associações são as ideias.

A experiência escreve e grava em nosso espírito as ideias, e a razão vai associá-las, combiná-las ou separá-las, formando todos os nossos pensamentos. Por isso, David Hume dirá que a razão é o hábito de associar ideias, seja por semelhança, seja por diferença.
Soluções filosóficas para os problemas do inatismo e do empirismo.

A questão sobre o surgimento dos princípios racionais, a capacidade para intuição e raciocínio, teve, entre outras, duas polêmicas respostas, como já foi visto, o inatismo e o empirismo.

Surgem aí os problemas relacionados a essas duas vertentes: como explicar a mudança dos princípios e ideias da razão se eles são considerados inatos? E como ter objetividade nos conhecimentos se eles são apenas hábitos subjetivos?

Surgem então, respostas filosóficas. A primeira foi a de Leibniz que estabeleceu a distinção entre verdades de razão e verdades de fato. A primeira trata da universalidade das coisas. Elas são necessárias e universais, são também inatas.

A segunda, trata das verdades que dependem da experiência. Essas verdades são consideradas verdade porque para elas funciona o princípio da razão suficiente, que diz que tudo o que existe tem uma causa.

Outra resposta a esse dilema é proposta por Kant e é conhecida como ‘’revolução copernicana’’. Ele defende que a nossa razão deveria ser regulada pelos objetos e estes, pelo nosso conhecimento.

Por fim, tem-se a resposta de Hegel , que criticou o inatismo, o empirismo e o kantismo. Segundo ele, todos os seus antecessores não tinham compreendido o essencial à razão: a ideia de que a razão é histórica.

Hegel propõe a mudança da razão e de seus conteúdos, e isso é obra racional da própria razão.
Enfim, embora Hegel tenha criticados os empiristas, inatistas e kantianos e proposto uma nova tese para a razão, ainda persiste filósofos empiristas, inatistas e kantianos, só que agora com suas teses, ideias e perspectivas reformuladas.

A razão na filosofia contemporânea

No inicio do século XIX, inicio do século XX, destacou-se a Fenomologia. A discussão do dilema entre o inatismo e o empirismo é reformada por Husserl. De Kant, Husserl conserva a afirmação de que não conhecemos uma realidade em si, mas a realidade tal como aparece ao ser estruturado e organizado a priori pela razão; De Hegel, Husserl conserva a afirmação de que a fenomologia é a descrição do que aparece e a consciência e a descrição do aparecer da consciência para si mesma.

O mundo ou a realidade é um conjunto de significações ou de sentidos que são produzidos pela consciência ou pela razão. A razão é doadora de sentido e ela constitui a realidade não enquanto existência de seres, mas enquanto sistema de significações que dependem da estrutura da própria consciência.

As significações ou essências são o conteúdo que a própria razão oferece a si mesma para doar sentido, pois a razão transcendental é doadora de sentido e o sentido é a única realidade existente para a razão.

Razão e sociedade

Os filósofos da teoria crítica consideravam que existem, na verdade, duas modalidades da razão: a razão instrumental ou razão técnico- científica, que está a serviço da exploração e da dominação, da opressão e da violência, e a razão crítica ou filosófica, que reflete sobre as contradições e os conflitos sociais e políticos e se apresenta como uma força libertadora.

A escola de Frankfurt mantém a ideia hegeliana de que há uma continuidade temporal ou histórica entre a forma anterior da racionalidade.

Razão e descontinuidade temporal

O estruturalismo propunha que o mais importante não é a mudança ou a transformação de uma realidade, mas a estrutura ou a forma que ele tem presente.

A estrutura passada e a estrutura futura são consideradas estruturas diferentes entre si e diferentes da estrutura presente, sem que haja interesse em acompanhar temporalmente a passagem de uma estrutura para outra. Tendo mais afinidade com a filosofia de Kant.
Michel Foucalt foi influenciado pelo estruturalismo, que propunha que a atitude racional de conhecer a realidade não é senão o trabalho do pensamento para aprender, compreender e interpretar o sentido das coisas, dos fatos, das ideias, ações e valores humanos. É esse ideal do conhecimento que é conservado quando continuamos a falar em razão.

A coerência interna de um pensamento ou de uma teoria. Ou seja, quando um pensamento ou uma teoria se propõem a oferecer um conhecimento, simultaneamente também oferecem os princípios, os conceitos e os procedimentos que sustentam a explicação apresentada. Agora se pergunta se um pensamento ou uma teoria contribuem ou não para que os seres humanos conheçam e compreendam as circunstancias em que vivem. Assim, a razão, além de ser critério de avaliar os conhecimentos, é também um instrumento crítico para compreendermos as circunstancias em que vivemos para mudá-las ou melhorá-las.

Correntes do racionalismo:

Racionalismo Psicológico

O intelectualismo sustenta que as duas faculdades especificamente humanas são a vontade e a inteligência ou razão. A inteligência é vista como a mais importante sob a alegação de que a vontade ou a capacidade de querer, de decidir, é faculdade cega, cujas operações dependem da inteligência que, por definição, é a capacidade de iluminar e de ver. As filosofias intelectualistas opõem-se às filosofias voluntaristas e sensualistas.

Racionalismo Epistemológico

Posição filosófica que afirma a razão como única faculdade de propiciar o conhecimento adequado da realidade. A razão, por iluminar o real e perceber as conexões e relações que o constituem, é a capacidade de apreender ou de ver as coisas em suas articulações ou interdependência em que se encontram umas com as outras. Ao partir do pressuposto de que o pensamento coincide com o ser, a filosofia ocidental, desde suas origens, percebe que há concordância entre a estrutura da razão e a estrutura análoga do real, pois, caso houvesse total desacordo entre a razão e a realidade, o real seria incognoscível e nada se poderia dizer a respeito.
Racionalismo Metafísico.

O racionalismo gnosiológico ou epistemológico é inseparável do racionalismo ontológico ou metafísico, que enfoca a questão do ser, pois o ser está implicado no pensamento do ser. Declarar que o real tem esta ou aquela estrutura implica em admitir, por parte da razão, enquanto faculdade cognitiva do ser humano, a capacidade de apreender o real e de revelar a sua estrutura. O conhecimento, ao se distinguir da produção e da criação de objetos, implica a possibilidade de reproduzir o real no pensamento, sem alterá-lo ou modificá-lo.

CRÍTICAS AO RACIONALISMO

Não tem como fazer críticas ao racionalismo sem falar em empirismo. Pois, as principais críticas feiras aos racionalistas foram feitas pelos empiristas. Enquanto os racionalistas defendem que todo o conhecimento é racional, os empiristas, defendem que todo o conhecimento é oriundo da experiência. Em outras palavras, o objetivo do racionalismo era chegar à verdade por meio da razão e o empirismo por meio da experiência.

Sabemos que, no racionalismo, o conhecimento é alcançado fazendo um bom uso da razão, e não dos sentidos, porque eles afirmam que a informação obtida através dos sentidos pode estar errada, porque é possível haver engano naquilo que se ouve ou vê.

Podemos evidenciar o nítido embate entre essas duas correntes de pensamento, mas, Emmanuel Kant (1724-1804) afirma que não existe condição de se chegar à verdade se não através da experiência e da razão, e, é claro, a transcendência do pensamento que ele chama de “síntese à priori”.

Analisando os pensamentos de René Descartes (1596-1650), grande filósofo racionalista, nota-se que a dúvida é o ponto central para se chegar a verdade. Porque o “Penso logo existo”, estabeleceu algumas certezas como por exemplo, sua própria existência e a de Deus como verdades absolutas que movem e guiam todos os seres. Kant, perguntou: como seria possível duvidar da existência de um objeto apenas pela especulação racional? Os sentidos, com os quais se apreende o objeto, podem ser enganosos mais são eles que trazem dados necessários ao analista, para através do pensamento se formular conceitos sobre esse ou aquele objeto. Assim, se a análise dele for apenas por via do pensamento racional não seria acrescentada nenhuma informação nova, porque não estaria se apoiando propriamente no objeto, mas no pensamento universal para esclarecê-lo. Isso, Kant chama de “Juízo analítico à priori”.
Para Francis Bacon (1561-1626), a verdade recria a concretização do pensamento, ou seja, um pensamento que faz, que produz algo em benefício da humanidade. Para tanto seria necessário abandonar certas ideologias que carregam o pensamento e impedem de se chegar a essa verdade. Isso também é uma crítica ao pensamento tradicional.

Thomas Hobbes (1588 -1679) também fez críticas ao racionalismo dizendo que o homem era como uma máquina, ou seja, de forma mecanicista. Para ele, o homem era apenas aquilo que experimentava no mundo, depois guarda a experiência e formula um raciocínio. Para Hobbes, o corpo é separado da mente e o conhecimento só pode ser concebido por meio da sensibilidade.

David Hume (1711-1776) foi também muito critico ao racionalismo, em sua teoria afirmou que o homem é um ser totalmente sensitivo. Ele diz que nós recebemos impressões e ideias do mundo exterior através dos nossos órgãos do sentido, embora as impressões sejam muito mais fortes que as ideias, as duas são dependentes. Ele diz que nada se conhece acerca da essência das coisas. Isso torna frágil a ideia de causa. Por exemplo, uma sensação que tive me causou uma impressão, porém, antes de tê-la nem sabia que ela existia. Assim, como posso afirmar que todas as outras experiências do mesmo caráter pela qual o analista passará poderão causá-lo a mesma impressão. Dessa forma, não foi a causa da experiência que me trouxe essa impressão, mas sim, o efeito produzido por ela. Assim pouco importa para ele se essas impressões e ideias são certas ou erradas, todavia, o importante é o prazer proporcionado pela experiência.

Kant resolve o impasse existente entre os racionalistas e os empiristas, pois une essas duas perspectivas, mostrando que o conhecimento do objeto não pode acontecer separados do corpo e da mente por haver entre estes uma interdependência.
Referências Bibliográficas.

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia
KANT, E. Crítica da razão pura. São Paulo: Nova Cultural, 1987. GEORGES, P. Compreender Kant. Rio de Janeiro: Vozes, 2005. REALE, G. & ANTISERI, D. História da filosofia. São Paulo: Paulus, 2003.

Alunos: Joao Vitor Caldas Kagueyama, Deniz Sousa Costa, Rebeca Maria Lima, Natália Oliveira Amaral, Leydi Laura Vieira, Max Nunes Alencar

Racionalismo
O racionalismo é uma corrente que surgiu com René Descartes no século XVII, porém pode se dizer que o racionalismo surgiu junto com a filosofia, e é impossível desassociar um do outro, pois a filosofia na Grécia antiga consistia basicamente na utilização da reflexão para explicar a origem do mundo, ou seja, eles utilizavam da razão para alcançar o conhecimento.
Mas o que é a razão? Ao decorrer do trabalho nos tentaremos apresentar um breve explicação sobre essa pergunta, pode se dizer que a razão e a habilidade do homem de medir,comparar, juntar e calcular. Porém a razão e mais do que isso, a palavra razão pode ter outros significados, como o motivo de algo. Ao decorrer da nossa apresentação vamos explicar mais sobre esses e outros aspectos da razão.

A ATIVIDADE RACIONAL
A atividade racional e suas modalidades, a Filosofia distingue duas grandes modalidades da atividade racional, realizadas pela razão subjetiva ou pelo sujeito do conhecimento: a intuição (ou razãointuitiva) e o raciocínio (ou razão discursiva).

A atividade racional discursiva, como a própria palavra indica, discorre, percorre uma realidade ou um objeto para chegar a conhece-lo, isto é, realiza vários atos de conhecimento até conseguir captá-lo. A razão discursiva ou o pensamento discursivo chega ao objeto passando por etapas sucessivas de conhecimento, realizando esforços sucessivos de aproximação para chegar ao conceito ou àdefinição do objeto.
A razão intuitiva ou intuição, ao contrário, consiste num único ato do espírito, que, de uma só vez, capta por inteiro e completamente o objeto. Em latim, intuitos significa: ver. A intuição é uma visão direta e imediata do objeto do conhecimento, um contato direto e imediato com ele, sem necessidade de provas ou demonstrações para saber o que conhece.

A razão intuitiva pode ser de dois tipos: intuição sensível ou empírica e intuição Intelectual
1.A intuição sensível ou empírica(do grego, empeiria: experiência sensorial) é o conhecimento que temos a todo o momento de nossa vida. Assim, com um só olhar ou num só ato de visão percebemos uma casa, um homem, uma mulher, uma flor, uma mesa. Num só ato, por exemplo, capto que isto é uma flor: vejo sua cor e suas pétalas, sinto a maciez de sua textura, aspiro seu perfume, tenho-a por inteiro e de uma só vez diante de mim.
A intuição empírica é o conhecimento direto e imediato das qualidades sensíveis do objeto externo: cores, sabores, odores, paladares, texturas, dimensões ,distâncias. É também o conhecimento direto e imediato de estados internos ou mentais: lembranças, desejos, sentimentos, imagens.
A intuição sensível ou empírica é psicológica, isto é, refere-se aos estados do sujeito do conhecimento enquanto um ser corporal e psíquico individual-sensações, lembranças, imagens, sentimentos, desejos e percepções são exclusivamente pessoais.

2.A intuição intelectual difere da sensível justamente por sua universalidade e necessidade. Quando penso: “Uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo”, sei, sem necessidade de provas ou demonstrações, que isto é verdade. Ou seja, tenho conhecimento intuitivo do princípio da contradição. Quando digo: “O amarelo é diferente do azul”, sei, sem necessidade de provas e demonstrações, que há diferenças. Vejo, na intuição sensível, a cor amarela e a cor azul, mas vejo, na intuição intelectual, a diferença entre cores. Quando afirmo: “O todo é maior do que as partes”, sei, sem necessidade de provas e demonstrações, que isto é verdade, porque intuo uma forma necessária de relação entre as coisas.

A intuição intelectual é o conhecimento direto e imediato dos princípios da razão(identidade, contradição, terceiro excluído, razão suficiente), das relações necessárias entre os seres ou entre as ideias, da verdade de uma ideia ou de um ser.

A razão discursiva: dedução, indução e abdução.

A intuição pode ser o ponto de chegada, a conclusão de um processo de conhecimento, e pode também ser o ponto de partida de um processo cognitivo. O processo de conhecimento, seja o que chega a uma intuição, seja o que parte dela, constitui a razão discursiva ou o raciocínio
.
Ao contrário da intuição, o raciocínio é o conhecimento que exige provas e demonstrações e se realiza igualmente por meio de provas e demonstrações das verdades que estão sendo conhecidas ou investigadas. Não é um ato intelectual, mas são vários atos intelectuais internamente ligados ou conectados, formando um processo de conhecimento.

A dedução

Dedução e indução são procedimentos racionais que nos levam do já conhecido ao ainda não conhecido, isto é, permitem que adquiramos conhecimentos novos graças a conhecimentos já adquiridos. Por isso, se costuma dizer que, no raciocínio, o intelecto opera seguindo cadeias de razões ou os nexos e conexões internos e necessários entre as ideias ou entre os fatos.

A dedução consiste em partir de uma verdade já conhecida (seja por intuição, seja por uma demonstração anterior) e que funciona como um princípio geral ao qual se subordinam todos os casos que serão demonstrados a partir dela. Em outras palavras, na dedução parte-se de uma verdade já conhecida para demonstrar que ela se aplica a todos os casos particulares iguais. Por isso também se diz que a dedução vai do geral ao particular ou do universal ao individual. O ponto de partida de uma dedução é ou uma idéia verdadeira ou uma teoria verdadeira

A indução
A indução realiza um caminho exatamente contrário ao da dedução. Com aindução, partimos de casos particulares iguais ou semelhantes e procuramos a lei geral, a definição geral ou a teoria geral que explica e subordina todos esses casos particulares. A definição ou a teoria são obtidas no ponto final do percurso.

E a razão também oferece um conjunto de regras precisas para guiara indução; se tais regras não forem respeitadas, a indução será considerada falsa. Por exemplo, colocamos água no fogo e observamos que ela ferve e se transforma em vapor; colocamos leite no fogo e vemos também que ele se transforma em vapor; colocamos vários tipos de líquidos no fogo e vemos sempre sua transformação em vapor. Induzimos desses casos particulares que o fogo possui uma propriedade que produz a evaporação dos líquidos. Essa propriedade é o calor.

A abdução
O filósofo inglês Peirce considera que, além da dedução e da indução, a razão discursiva ou raciocínio também se realiza numa terceira modalidade de inferência, embora esta não seja propriamente demonstrativa. Essa terceira modalidade é chamada por ele de abdução
.
A abdução é uma espécie de intuição, mas que não se dá de uma só vez, indo passo a passo para chegar a uma conclusão. A abdução é a busca de uma conclusão pela interpretação racional de sinais, de indícios, de signos. O exemplo mais simples oferecido por Peirce para explicar o que seja a abdução são os contos policiais, o modo como os detetives vão coletando indícios ou sinais e formando uma teoria para o caso que investigam.

Realismo e idealismo:

Vimos anteriormente que muitos filósofos distinguem razão objetiva e razão subjetiva, considerando a Filosofia o encontro e o acordo entre ambas Falar numa razão objetiva significa afirmar que a realidade externa ao nosso pensamento é racional em si e por si mesma e que podemos conhecê-la justamente por ser racional. Significa dizer, por exemplo, que o espaço e o tempo existem em si e por si mesmos, que as relações matemáticas e de causa-efeito existem nas próprias coisas, que o acaso existe na própria realidade, etc.

Chama-se realismo a posição filosófica que afirma a existência objetiva ou em si da realidade externa como uma realidade racional em si e por si mesma e, portanto, que afirma a existência da razão objetiva. Há filósofos, porém, que estabelecem uma diferença entre a realidade e o conhecimento racional que dela temos. Dizem eles que, embora a realidade externa exista em si e por si mesma, só podemos conhece -la tal como nossas idéias a formulam e a organizam e não tal como ela seria em si mesma. Não podemos saber nem dizer se a realidade exterior é racional em si, pois só podemos saber e dizer que ela é racional para nós, isto é, por meio de nossas ideias.

Essa posição filosófica é conhecida com o nome de idealismo e afirma apenas a existência da razão subjetiva. A razão subjetiva possui princípios e modalidades de conhecimento que são universais e necessários, isto é, válidos para todos os seres humanos em todos os tempos e lugares. O que chamamos realidade, portanto, é apenas o que podemos conhecer por meio das idéias de nossa razão

A Razão: inata ou adquirida?

Durante séculos, as perguntas referentes à origem da capacidade de raciocínio e a origem dos princípios racionais foram temas da Filosofia, que ofereceu respostas a esses questionamentos por meio de duas correntes de pensamentos: o inatismo e o empirismo.

Inatismo:

O inatismo afirma que ao nascermos trazemos em nossa inteligência não só os princípios racionais mas também algumas ideias verdadeiras, as ideias inatas. Essa perspectiva sustenta que as pessoas naturalmente carregam certas aptidões, habilidades, conhecimentos, qualidades e que, toda atividade de conhecimento é exclusiva do sujeito, o meio não participa dela.

O inatismo platônico:

Platão acreditava que nascemos com a razão e as ideias verdadeiras, e a Filosofia nada mais faz do que relembrar essas ideias. Para ele, conhecer é recordar a verdade que já existe em nós, é despertar a razão para que ela se exerça por si mesma. A única maneira para se distinguir o verdadeiro do falso é por meio das ideias inatas.
Em A República, Platão desenvolve a Teoria da Reminiscência, no qual afirma a teoria das ideias inatas por meio da narração do Mito de Er.
A ideia apresentada nesse mito é de que após a morte, no Reino dos Mortos, as almas contemplam a verdade e possuem o conhecimento verdadeiro; antes de voltar à Terra, renascendo em outra vida em busca da purificação, as almas podem escolher a nova vida que terão. Platão afirmava que, no caminho de retorno à Terra, as almas atravessam uma grande planície por onde corre o “rio do esquecimento”, e bebem de suas águas. As que bebem muito esquecem toda a verdade que contemplaram, como o rei, os guerreiros e os comerciantes ricos; as que bebem pouco quase não se esquecem do que conheceram, como os sábios, que são capazes de lembras e ter sabedoria, usando a razão.

Inatismo Cartesiano:
A Teoria das Ideias Inatas é explorada nas obras O Discurso do Método e Meditações metafísicas, que Descartes mostra que nosso espírito possui três tipos de ideias que diferenciam segundo sua origem e qualidade.
Ideias adventícias (isto é, vindas de fora): são aquelas que se originam de nossas sensações, percepções, lembranças; são as ideias que nos vêm por termos tido a experiência sensorial ou sensível das coisas a que se referem. São geralmente enganosas ou falsas, isto é, são opiniões recebidas e que, em geral, não correspondem à realidade das próprias coisas.
Ideias fictícias: são aquelas que criamos em nossa fantasia e imaginação. São as fabulações das artes, da literatura, dos contos infantis, dos mitos, das superstições. Essas ideias nunca são verdadeiras, pois não correspondem a nada que exista realmente.
Ideias Inatas: são aquelas que não poderiam vir de experiências sensoriais, porque não há objetos sensoriais para elas, nem poderiam vir de nossa fantasia, pois não houve experiência sensorial para compô-las a partir de nossa memória.
As Ideias Inatas, diz Descartes, são “a assinatura do Criador” no espírito das criaturas racionais, e a razão é a luz natural inata que nos permite conhecer a verdade. Visto que as ideias inatas são colocadas em nós por Deus, serão sempre verdadeiras, isto é, sempre corresponderão integralmente às coisas a que se referem, e, graças a elas, podemos julgar quando uma ideia adventícia é verdadeira ou falsa e saber que as ideias fictícias são sempre falsas (não correspondem a nada fora de nós).

O Empirismo:

Contrário ao inatismo, os defensores do empirismo afirmam que a razão, a verdade e as ideias racionais são adquiridas por nós pela experiência. John Locke afirma que antes da experiência nossa mente é como uma “folha em branco”, onde nada foi escrito; uma tábula rasa onde nada foi gravado.
Nossos conhecimentos começam com a experiência dos sentidos, isto é, com as sensações. As sensações se reúnem e formam uma percepção; ou seja, percebemos uma única coisa ou um único objeto que nos chegou por meio de várias e diferentes sensações.
A causa da associação das percepções é a repetição. Ou seja, de tanto algumas sensações se repetirem por semelhança ou de tanto se repetirem no mesmo espaço ou próximas umas das outras, ou, enfim, de tanto se repetirem sucessivamente no tempo, criamos o hábito de associá-las. Essas associações são as ideias.
A experiência escreve e grava em nosso espírito as ideias, e a razão vai associá-las, combiná-las ou separá-las, formando todos os nossos pensamentos. Por isso, David Hume dirá que a razão é o hábito de associar ideias, seja por semelhança, seja por diferença.

Soluções filosóficas para os problemas do inatismo e do empirismo
A questão sobre o surgimento dos princípios racionais, a capacidade para intuição e raciocínio, teve, entre outras, duas polêmicas respostas, como já foi visto, o inatismo e o empirismo.
Surgem aí os problemas relacionados a essas duas vertentes: como explicar a mudança dos princípios e ideias da razão se eles são considerados inatos? E como ter objetividade nos conhecimentos se eles são apenas hábitos subjetivos?
Surgem então, respostas filosóficas. A primeira foi a de Leibniz que estabeleceu a distinção entre verdades de razão e verdades de fato. A primeira trata da universalidade das coisas. Elas são necessárias e universais, são também inatas.
A segunda, trata das verdades que dependem da experiência. Essas verdades são consideradas verdade porque para elas funciona o princípio da razão suficiente, que diz que tudo o que existe tem uma causa.
Outra resposta a esse dilema é proposta por Kant e é conhecida como ‘’revolução copernicana’’. Ele defende que a nossa razão deveria ser regulada pelos objetos e estes, pelo nosso conhecimento.
Por fim, tem-se a resposta de Hegel , que criticou o inatismo, o empirismo e o kantismo. Segundo ele, todos os seus antecessores não tinham compreendido o essencial à razão: a ideia de que a razão é histórica.
Hegel propõe a mudança da razão e de seus conteúdos, e isso é obra racional da própria razão.
Enfim, embora Hegel tenha criticados os empiristas, inatistas e kantianos e proposto uma nova tese para a razão, ainda persiste filósofos empiristas, inatistas e kantianos, só que agora com suas teses, ideias e perspectivas reformuladas.
A razão na filosofia contemporânea
No inicio do século XIX, inicio do século XX, destacou-se a Fenomologia. A discussão do dilema entre o inatismo e o empirismo é reformada por Husserl. De Kant, Husserl conserva a afirmação de que não conhecemos uma realidade em si, mas a realidade tal como aparece ao ser estruturado e organizado a priori pela razão; De Hegel, Husserl conserva a afirmação de que a fenomologia é a descrição do que aparece e a consciência e a descrição do aparecer da consciência para si mesma.
O mundo ou a realidade é um conjunto de significações ou de sentidos que são produzidos pela consciência ou pela razão. A razão é doadora de sentido e ela constitui a realidade não enquanto existência de seres, mas enquanto sistema de significações que dependem da estrutura da própria consciência.
As significações ou essências são o conteúdo que a própria razão oferece a si mesma para doar sentido, pois a razão transcendental é doadora de sentido e o sentido é a única realidade existente para a razão.

Razão e sociedade
Os filósofos da teoria crítica consideravam que existem, na verdade, duas modalidades da razão: a razão instrumental ou razão técnico- científica, que está a serviço da exploração e da dominação, da opressão e da violência, e a razão crítica ou filosófica, que reflete sobre as contradições e os conflitos sociais e políticos e se apresenta como uma força libertadora.
A escola de Frankfurt mantém a ideia hegeliana de que há uma continuidade temporal ou histórica entre a forma anterior da racionalidade.
Razão e descontinuidade temporal
O estruturalismo propunha que o mais importante não é a mudança ou a transformação de uma realidade, mas a estrutura ou a forma que ele tem presente.
A estrutura passada e a estrutura futura são consideradas estruturas diferentes entre si e diferentes da estrutura presente, sem que haja interesse em acompanhar temporalmente a passagem de uma estrutura para outra. Tendo mais afinidade com a filosofia de Kant.
Michel Foucalt foi influenciado pelo estruturalismo, que propunha que a atitude racional de conhecer a realidade não é senão o trabalho do pensamento para aprender, compreender e interpretar o sentido das coisas, dos fatos, das ideias, ações e valores humanos. É esse ideal do conhecimento que é conservado quando continuamos a falar em razão.
A coerência interna de um pensamento ou de uma teoria. Ou seja, quando um pensamento ou uma teoria se propõem a oferecer um conhecimento, simultaneamente também oferecem os princípios, os conceitos e os procedimentos que sustentam a explicação apresentada. Agora se pergunta se um pensamento ou uma teoria contribuem ou não para que os seres humanos conheçam e compreendam as circunstancias em que vivem. Assim, a razão, além de ser critério de avaliar os conhecimentos, é também um instrumento crítico para compreendermos as circunstancias em que vivemos para mudá-las ou melhorá-las.

Correntes do racionalismo:
Racionalismo Psicológico
O intelectualismo sustenta que as duas faculdades especificamente humanas são a vontade e a inteligência ou razão. A inteligência é vista como a mais importante sob a alegação de que a vontade ou a capacidade de querer, de decidir, é faculdade cega, cujas operações dependem da inteligência que, por definição, é a capacidade de iluminar e de ver. As filosofias intelectualistas opõem-se às filosofias voluntaristas e sensualistas.
Racionalismo Epistemológico
Posição filosófica que afirma a razão como única faculdade de propiciar o conhecimento adequado da realidade. A razão, por iluminar o real e perceber as conexões e relações que o constituem, é a capacidade de apreender ou de ver as coisas em suas articulações ou interdependência em que se encontram umas com as outras. Ao partir do pressuposto de que o pensamento coincide com o ser, a filosofia ocidental, desde suas origens, percebe que há concordância entre a estrutura da razão e a estrutura análoga do real, pois, caso houvesse total desacordo entre a razão e a realidade, o real seria incognoscível e nada se poderia dizer a respeito.
Racionalismo Metafísico
O racionalismo gnosiológico ou epistemológico é inseparável do racionalismo ontológico ou metafísico, que enfoca a questão do ser, pois o ser está implicado no pensamento do ser. Declarar que o real tem esta ou aquela estrutura implica em admitir, por parte da razão, enquanto faculdade cognitiva do ser humano, a capacidade de apreender o real e de revelar a sua estrutura. O conhecimento, ao se distinguir da produção e da criação de objetos, implica a possibilidade de reproduzir o real no pensamento, sem alterá-lo ou modificá-lo.

CRÍTICAS AO RACIONALISMO
Não tem como fazer críticas ao racionalismo sem falar em empirismo. Pois, as principais críticas feiras aos racionalistas foram feitas pelos empiristas. Enquanto os racionalistas defendem que todo o conhecimento é racional, os empiristas, defendem que todo o conhecimento é oriundo da experiência. Em outras palavras, o objetivo do racionalismo era chegar à verdade por meio da razão e o empirismo por meio da experiência.
Sabemos que, no racionalismo, o conhecimento é alcançado fazendo um bom uso da razão, e não dos sentidos, porque eles afirmam que a informação obtida através dos sentidos pode estar errada, porque é possível haver engano naquilo que se ouve ou vê.
Podemos evidenciar o nítido embate entre essas duas correntes de pensamento, mas, Emmanuel Kant (1724-1804) afirma que não existe condição de se chegar à verdade se não através da experiência e da razão, e, é claro, a transcendência do pensamento que ele chama de “síntese à priori”.
Analisando os pensamentos de René Descartes (1596-1650), grande filósofo racionalista, nota-se que a dúvida é o ponto central para se chegar a verdade. Porque o “Penso logo existo”, estabeleceu algumas certezas como por exemplo, sua própria existência e a de Deus como verdades absolutas que movem e guiam todos os seres. Kant, perguntou: como seria possível duvidar da existência de um objeto apenas pela especulação racional? Os sentidos, com os quais se apreende o objeto, podem ser enganosos mais são eles que trazem dados necessários ao analista, para através do pensamento se formular conceitos sobre esse ou aquele objeto. Assim, se a análise dele for apenas por via do pensamento racional não seria acrescentada nenhuma informação nova, porque não estaria se apoiando propriamente no objeto, mas no pensamento universal para esclarecê-lo. Isso, Kant chama de “Juízo analítico à priori”.
Para Francis Bacon (1561-1626), a verdade recria a concretização do pensamento, ou seja, um pensamento que faz, que produz algo em benefício da humanidade. Para tanto seria necessário abandonar certas ideologias que carregam o pensamento e impedem de se chegar a essa verdade. Isso também é uma crítica ao pensamento tradicional.
Thomas Hobbes (1588 -1679) também fez críticas ao racionalismo dizendo que o homem era como uma máquina, ou seja, de forma mecanicista. Para ele, o homem era apenas aquilo que experimentava no mundo, depois guarda a experiência e formula um raciocínio. Para Hobbes, o corpo é separado da mente e o conhecimento só pode ser concebido por meio da sensibilidade.
David Hume (1711-1776) foi também muito critico ao racionalismo, em sua teoria afirmou que o homem é um ser totalmente sensitivo. Ele diz que nós recebemos impressões e ideias do mundo exterior através dos nossos órgãos do sentido, embora as impressões sejam muito mais fortes que as ideias, as duas são dependentes. Ele diz que nada se conhece acerca da essência das coisas. Isso torna frágil a ideia de causa. Por exemplo, uma sensação que tive me causou uma impressão, porém, antes de tê-la nem sabia que ela existia. Assim, como posso afirmar que todas as outras experiências do mesmo caráter pela qual o analista passará poderão causá-lo a mesma impressão. Dessa forma, não foi a causa da experiência que me trouxe essa impressão, mas sim, o efeito produzido por ela. Assim pouco importa para ele se essas impressões e ideias são certas ou erradas, todavia, o importante é o prazer proporcionado pela experiência.
Kant resolve o impasse existente entre os racionalistas e os empiristas, pois une essas duas perspectivas, mostrando que o conhecimento do objeto não pode acontecer separados do corpo e da mente por haver entre estes uma interdependência.
Referências Bibliográficas
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia
KANT, E. Crítica da razão pura. São Paulo: Nova Cultural, 1987. GEORGES, P. Compreender Kant. Rio de Janeiro: Vozes, 2005. REALE, G. & ANTISERI, D. História da filosofia. São Paulo: Paulus, 2003.


Este artigo foi publicado em quarta-feira, novembro 27th, 2013 às 16:48 na categoria Filosofia. Você pode acompanhar os comentários deste artigo pelo RSS 2.0 feed. Você pode deixar um comentário, ou trackback por seu site.


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