Bandeira da Cidade de Pinheiro

COLUNA DA APLAC

A Bandeira de Pinheiro
Acd. Agnaldo Mota*
A Bandeira de Pinheiro, assim como a do Estado do Maranhão e a do Brasil, são símbolos de um povo trabalhador, valente e destemido, acima de tudo hospitaleiro e esperançoso. Vivemos de Esperança! Esta, é componente do ar que respiramos, quer nascida dos campos de pastagens que circundam “A Princesa”, quer originada das matas virgens que ainda teimamos tê-las neste Brasil Continental.

Abraão do Carmo Cardoso, poeta de Água Doce, veio para Pinheiro já adolescente, com o objetivo de estudar e descobriu, porém, que esta era a sua “Terra Prometida”. Ele é o Patrono da Cadeira Nº 15 da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências – APLAC, cujo acadêmico é o artista, literato e imortal: Napoleão Cardoso.

Certo dia, estava eu a ilustrar-me com Abraão Cardoso, em sua casa, quando ele pegou uma caneta e um papel e escreveu-me a menor e a maior poesia que conheço até hoje: “Bandeira: pano mudo / que diz tudo”.

A Bandeira de Pinheiro é o resultado de um Concurso realizado no Colégio Pinheirense, materialização do Projeto de Lei 472/73, com o objetivo de criá-la. Foi uma iniciativa do prefeito Filadelfo Mendes Filho (Dedeco Mendes), que em 04/JUN/1973 o enviou à Câmara Municipal de Pinheiro. O vencedor do Concurso foi o aluno do “C.P.” Manoel da Conceição Silva, “Manoel filho de Nhô” representado o Colégio Pinheirense, segundo Frei José e Padre Luís Risso.

A Lei Municipal Nº 441/77, foi aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal de Vereadores e em seguida sancionada pelo então prefeito Filadelfo Mendes Filho, instituindo a Bandeira de Pinheiro.

O retângulo e o losângulo são idéias inspiradas na Bandeira do Brasil, segundo depoimento do próprio autor.

No retângulo estão presentes as cores de Pinheiro em forma de listras, a homenagear as três raças, que em miscigenação formaram o nosso povo, a saber:

A listra vermelha é a primeira. Representa os ameríndios, nossos irmãos indígenas que são os primitivos habitantes das Américas, há 14.000 anos, os verdadeiros donos destas terras, até porque, segundo a ONU: “O dono da terra é aquele que nela habita”.

A listra branca é a segunda, no meio das outras, representando o nosso irmão europeu, que muito contribuiu para a nossa formação étnica, cultural, jurídica e lingüística, especialmente o povo português.

A listra preta é a terceira, para homenagear o nosso irmão de origem africana, representante da raça negra, que nos trouxe influências na culinária, na música, na ginga e na crença.
O losângulo é verde e no centro dele há, o Brasão da Bandeira, em amarelo.
O Brasão foi inspiração dos Brasões do Império, que como na Bandeira Nacional Brasileira nos lembram as matas e o ouro. Ele trás na base uma inscrição convexa, em letras brancas: Princesa da Baixada.

Só para constar, Dom João VI e a Família Real, chegaram ao Brasil (Rio de Janeiro) em 08/JAN/1808. Pinheiro já existia como povoado: “Lugar do Pinheiro” fundado que foi pelo Coronel-Mor Inácio José Pinheiro, em 23/NOV/1806, vindo de Alcântara, para pacificar as pequenas aldeias de índios, que se encontravam em conflito bélico, entre si, e também com os primeiros colonos, que aqui chegaram. Ele estava cumprindo ordens do então Governador da Província do Maranhão, Antônio de Saldanha da Gama.

Sobre o Brasão repousa uma coroa, numa alusão ao título de Princesa da Baixada, que ao mesmo tempo, nos lembra a fachada de um forte, com suas ameias na muralha, numa referência ao seu Primeiro Centenário (03/SET/1956), de emancipação política, por ter sido elevada à categoria de vila: Vila Nova de Pinheiro, na data de 03 de setembro de 1856, pela Lei Provincial Nº 439.

Por sugestão de Frei José Preciosa, professor de Desenho do “C.P.” o estudante Manoel da Conceição Silva, inseriu no centro do brasão, uma Palmeira de Babaçu, por ser a palmeira que simboliza o Maranhão, como a região de maior palmeiral, dessa espécie, na América do Sul.
As três bandeiras mais bonitas e mais amadas, que existem em todo o universo, são frutos do trabalho artístico, inspiração poética e sentimento nativista de três maranhenses, a saber:

– A Bandeira do Brasil foi idealizada por Raymundo Teixeira Mendes, insigne maranhense de Caxias, a “Princesa do Sertão”, que disse ao apresentá-la à Comissão Julgadora: “O nosso intuito era evitar que se instituísse um Símbolo Nacional com duplo inconveniente: 1º) De fazer crer em uma filiação que não existe e de conduzir a uma imitação servil. 2º) Para que não perdêssemos as nossas tradições latinas, mas que o pensamento nacional brasileiro estivesse sempre voltado, para os princípios de “Ordem e Progresso”! Influenciado que fora, pela Corrente Filosófica do Positivismo, do francês Augusto Comte.

– A Bandeira do Maranhão, pelo maranhense de Guimarães, Joaquim de Sousa Andrade, (Sousândrade), engenheiro formado pela Universidade de Paris, autor do livro: “Guesa Errante”. Sousândrade foi primeiro prefeito da cidade de São Luís, tendo abolido o trabalho aos domingos, criou escolas para os pobres e abriu turmas à noite para os operários, segundo o historiador e professor Mário Martins Meirelles.

– A Bandeira de Pinheiro, pelo professor Manoel da Conceição Silva, pinheirense, imortal da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências – APLAC, Cadeira Nº 33, que tem como Patrono Waldemir Guterres Soares; professor da UFMA, autor de livros como, Os Corvos e os Lírios: Quando a perfeição no ser humano é um grande defeito, Reeducação Presidiária: a porta de saída do sistema carcerário, e O lado Escuro da Lua: os sentimentos. Carinhosamente ele é conhecido de nós como “Manoel filho de Nhô” ou simplesmente “Manoel de Nhô”.

É honroso para o Maranhão, que três de seus filhos constem entre os brasileiros que contribuíram para a criação de símbolos que nos inspiram o culto de amor à Pátria.

Oportunamente escreveremos sobre o Brasão e O Hino de Pinheiro que são os outros símbolos da “Santópolis” que Deus nos deu.

JOSÉ AGNALDO PEREIRA MOTA = PINHEIRENSE =
E-mail: agnaldomota@elo.com.br – ou – agnaldomota@ufma.br
Membro Titular – Fundador da Academia Pinheirense
de Letras, Artes e Ciências – APLAC- Cadeira Nº 7


Este artigo foi publicado em quarta-feira, outubro 15th, 2014 às 12:54 na categoria Artigos. Você pode acompanhar os comentários deste artigo pelo RSS 2.0 feed. Você pode deixar um comentário, ou trackback por seu site.


Um comentário

  1. Nila da Conceição A. Pimenta disse:

    Há uns dias atrás minha filha chegou com um trabalho da escola onde pedia para ser citado o autor da Bandeira de Pinheiro. Busquei em alguns livros, mas não obtive resposta. Hoje, no entanto, na realização de um seminário temático realizado pelos alunos do C.E. Médio Dom Ungarelli, Anexo Pacas, e cujo tema era os aspectos históricos e geográficos de Pinheiro, tive a honra de conhecer o Sr. Agnaldo Mota, que em sua fala citou a história da criação da Bandeira de Pinheiro. Isso me despertou interesse e nesta pesquisa, estou tendo e graça de encontrar este artigo escrito pelo próprio Sr. Agnaldo, que não somente escreve, como fala de nossa terra tão apaixonadamente. Parabéns por tão bela missão. Que Deus o ajude a continuar fazendo o que você gosta e o realiza.

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